quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Ou isto ou aquilo

"Ou se tem sol e não se tem chuva
Ou se tem chuva e não se tem sol"

Ou se tem trabalho e não se tem tempo
Ou se tem tempo e não se tem trabalho

Ou se tem amor e não se tem ódio
Ou se tem ódio e não se tem amor

Ou se tem Terra e não se tem Céu
Ou se tem Céu e não se tem Terra



Há momentos em que é necessário deixar as lágrimas caírem, e a alma subir em direção ao céu. Deixa chover hoje, não faz mal, vai lavar a terra. E tenha certeza, amanhã haverá sol, com um lindo arco-íris no céu. E eu saberei quem fez aquele arco-íris pra mim.

domingo, 9 de agosto de 2009

"Vaidade das vaidades"

"Escrever, mas por quê? Por vaidade, está visto,
Pura vaidade, escrever!
Pegar da pena, ai, que graça terá isto,
Se já se sabe tudo que se vai dizer"

Falando em primeira pessoa dessa vez, não sei se eu escrevi correto, porque já tem tempo que eu não leio esse poema, mas é do Mário Quintana, e sua metalinguagem é interessante. Por que diabos eu escrevo? Não sei, acho que só por vaidade. "Vaidade das vaidades", diz o Eclesiástico. Prefiro Machado, ao dizer "grande lascivo, aceita-te a voluptuosidade do nada". Acho que sou lascivo com as palavras. Minha luxúria não é física, mas mental. O que isso importa? Sei lá, só queria mostrar que eu conheço (de cor) poetas, romancistas e a Bíblia. ;)

Força Sempre !!

sábado, 8 de agosto de 2009

Começar do nada*

Era engraçado observar as pessoas em Botafogo. Ele pensava se na Zona Oeste também seria assim. Ou na Zona Norte. Tentou se lembrar da vez em que foi ao Norte Shopping com sua namorada mais santa, ver filme de tiro. Não lembrou. Só sabia do agora. A antiga namorada agora está fazendo outra pessoa feliz, e ele fica feliz também. Só lamenta a amizade perdida, mas não é isso o que o incomoda. Nesse momento a angústia que o domina é a da, er, ele não sabia dar um nome, mas sentia uma inquietação toda vez que entrava no Praia Shopping. Em frente à praia. Se achava deslocado, vestindo a roupa errada, pisando errado, balançando os braços numa sintonia bizarra. Era difícil de entender. Se via diferente de todos que ali estavam. Ou quase todos. Na última vez em que foi lá, encontrou um homem tocando violão em troca de trocados na porta do shopping. O homem tocava bem, surpreendentemente bem. E o contraste era triste.

Dentro, parecia haver lugar apenas para um tipo de pessoa. Eles eram a maioria, ele era o estranho. Ali, naquele lugar, era ele o diferente, o exótico, o raro. Como era estranho ver pessoas pagando até dois dígitos por um mísero chocolate, enquanto outros queriam a metade para comprar o almoço. Na verdade não era estranho. Era triste. E ele pensou na razão daquilo tudo. Pensou que talvez Deus não gostasse dos pobres, mas descartou logo essa idéia. Deus os tinha como preferidos, e um céu feito especialmente para eles. Pensou em culpar aos homens, aos mais ricos. Ficou se perguntando sobre às vezes em que desejou ser milionário, em que quis ser podre de rico. Agora ele sabia que para cada milhão que ele ganhasse precisaria deixar milhares de pessoas mais pobres. Ficou feliz ao constatar que ganhava uma merreca, e que com essa merreca conseguia ajudar a alguns pobres.

Continuou seu passeio, até chegar ao andar do banco. No caminho, viu um restaurante. Certos pratos custavam mais do que a sua bolsa. E viu meninas com bolsas mais caras do que a sua bolsa. E viu que essas bolsas não carregavam nada além de uma maquiagem mais cara do que a bolsa. E cantarolou um verso: "será que ninguém vê o caos em que vivemos? Os jovens são tão jovens e fica tudo por isso mesmo". Mas não chorou.

No banco viu mais uma vez sua conta vazia: o dinheiro ainda não havia caído.

Na volta, se distraiu olhando uma loja de videogames. Acabou tropeçando numa garota que carregava vários livros, fazendo-a cair. No meio das desculpas, ouviu o início de um choro já preparado há muito tempo.
- Droga!, tudo dá errado.
- Hey, calma. Você não precisa chorar.
- Claro que preciso. Nada na minha vida funciona. Não consigo aprender nada, o vestibular tá chegando, eu quero a carreira mais difícil, meus pais vivem brigando, meu irmão não me deixa em paz, ninguém gosta de mim...
- Ah, mas eu tenho certeza de que muita gente gosta de você. Sem dúvida seus pais te amam, e seu irmão também. E Deus te ama também, e nunca vai deixar de te amar.

Ela foi se levantando, e disse pra ele:

- Quem é você? Como pode surgir do nada e me incentivar assim, me ajudar a levantar? Qualquer outra pessoa daqui nem se importaria em olhar pra trás...
- Talvez seja por isso: não sou daqui.
- De onde você é?

E então, ali, naquele lugar, ele fez a diferença, o exótico, o raro.

E saíram os dois para continuar a conversa ao som do velho do violão.




* Todas as minhas postagens começam do nada, sem saber aonde vão.

domingo, 2 de agosto de 2009

É, quase um ano depois, eu escrevo algo novo. Não no sentido de novidade, mas volto a escrever aqui no blog. Acho que sinto falta disso, mas minha preguiça é um grande problema. Prometo tentar escrever regularmente. I hope you like.


Força Sempre !!

Nunca é tarde para recomeçar

A praia de Botafogo parece deserta sob as estrelas. Andando na areia, não há ninguém além daquele velho sonhador. Sentindo a água nos pés, já não sabe se o que contempla é a extensão do firmamento, um velho delírio, ou uma nova utopia. Ele gosta de unicórnios. Alguém um dia disse para ele que o cavalo era o ser mais belo da Criação, justamente por não ter nada de mais nem de menos. Discordo, pensava ele. Faltava algo, e os gregos lhe deram o ajuste final. Agora sim, era perfeito olhar para o unicórnio. Diziam que só donzelas poderiam ter o prazer de sua companhia, mas não importava. Não fazia diferença quem estava ao seu lado. Era ele o grande diferencial, pois tudo na sua vida dependia de si mesmo. Até mesmo a influencia dos outros. Só permitia a entrada de quem pudesse fazer sua vida ser chacoalhada. E ele permitia essa chacoalhada. Permitia que os outros fizessem a diferença em sua vida, amando-os, venerando-os, deixando-os.
Aquela praia deserta o cansava, sempre tão diferente na sua incansável rotina. Resolveu sair dali. Calçou as sandálias e foi andando em direção à praça. Chovera mais cedo, e ele pensou na ironia de ter seus pés sujos pela lama de Botafogo. Fugiu da roça para encontrar a lama de Botafogo. Mas que prazer diferente. Sentado num dos bancos, ponderou quanto tinha na carteira, e se perderia muito se fosse assaltado. Talvez nem fizesse diferença, mas sabia que não seria. A cada novo rosto que cruzava o seu olhar, tinha a impressão de ver não um ladrão, mas um incompreendido; não uma milionária, mas um desperdício. A vida sendo julgada, e não vivida. Ele era senhor da vida dos outros enquanto participantes da sua própria. Da deles e da dele. Eles estão na minha vida, eu na deles, mas sem domínios, delirava. Mal sabia ele que a próxima pessoa a passar ali seria Ela. Sem nome e sem voz, apenas roupas e dentes, num sorriso que lhe lembrara um arco-íris. Passou por ele, balançando os cabelos cor d'areia da praia recém-deixada para trás. Aroma de odalisca do oriente, pensou ele, se lembrando de um poema do seu escritor preferido. E resolveu que já era hora de recomeçar. Levantou, bateu os pés no chão para tirar a poeira, e seguiu em frente. Na direção dela?, pensou, e acabou encontrando-a na sua sorveteria preferida, o único pecado ao qual ele não se dignava a dizer não. E, no convite para uma banana split, e quem sabe um café no Starbucks amanhã?, ele descobriu seu nome. Esperança

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

"I have a dream"

Essa frase foi dita há muuuito tempo, por Martin Luther King. O que ela está fazendo aqui, no blog de um pisciano idealista, é o que você deve estar pensando agora. Eu só queria registrar que é possível mudar o mundo. Assim como ele mudou, outras pessoas devem fazer o mesmo. Os estudantes da UERJ estão fazendo o possível para evitar a greve. Talvez esse seja só o começo. Com as eleições chegando, se aproxima o momento em que a conscientização é colocada em xeque. E é nessa hora que os jovens têm que se mostrar presentes. Não fazendo baderna, nem tampouco revoluções. Revoluções não acontecem assim. Eu estou começando a imaginar que as revoluções são como um poema: dependem de um trabalho hercúleo de alguma mente criativa que consiga ler o mundo de uma forma única e dinâmica e, através de sua linguagem, carisma e inteligência, consiga influenciar pessoas na luta por um mesmo ideal. Acho que eu elevei um pouquinho a dificuldade de criação de um poema, mas tudo bem.

Enfim, parabéns aos militantes que estão nesse momento acampados em frente ao prédio da reitoria. Tenho certeza de que essa atitude não será em vão.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Tudo é sempre igual, tudo é sempre igual. A poesia fala de amor, eu finjo ser normal. Eu tento recomeçar, mas o medo de girar 180° assusta um pouco, girar mais 180°e chegar ao ponto zero seria não ter um lugar. Como diz o Moptop, 'não posso mais, não dá mais pra levar. Eu saio por aí pensando em não voltar, mas volto atrás com medo de recomeçar'. Sempre repetindo palavras, sempre.O sentido é o mesmo há séculos. A vontade de largar os sonetos ao molde de Petrarca, ou com os versos sáficos é grande. Mas o que fazer depois? Recomeçar? Não, eu tenho medo de recomeçar. É engraçado como a palavra 'busca' parece fazer parte do cotidiano do homem, totalmente inerente e indecente. Sou ambicioso, mas e quando eu me conformo? A conformidade é o medo da verdade, assim como a esperança é a luz que apenas os cegos conseguem ver. Nada poderia ser diferente, apenas tudo. Às vezes penso assim. Tudo tá tão errado, que apenas uma reformulação completa seria suficiente para salvar o mundo. Às vezes eu penso que as pessoas mais especiais poderiam comprar uma passagem para Marte e colonizar aquele lugar. Passagem só de ida, colônia da felicidade. Criaríamos raízes naquele solo rochoso de Marte. Não sei porquê, mas sempre o imaginei verde. Vai entender. Quando eu fosse me casar, poderia dar um pulinho em Saturno e pedir seu anel emprestado, para surpreender a minha noiva. Uma marciana? Talvez. Seria uma boa forma de recomeçar.


Esse texto aí de cima deveria ter sido escrito há um ano atrás, mas foi escrito hoje. Eu fico pensando o que me fez mudar tanto em 365 dias. Tão pouco, comparado com a vida. Tem horas em que eu penso que o que me fez mudar foi o Cuca Fundida, do Woody Allen, e Espelho Mágico, do Mário Quintana. Às vezes eu penso que foi o pré no Vitor. Pode ter sido a descoberta da minha paixão pela poesia. Na maioria das vezes eu penso que foi essa descoberta. Mas sabem o mais engraçado? Assim como existe a poesia concreta, prosa poética e vários tipos de poesia, eu descobri um tipo novo de poesia: a poesia em forma de mulher.